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Mestre Ejo Takata

 

Mosteiro Zen Morro da Vargem (Zenkoji)  promove diálogo pioneiro na América Latina entre as Escolas Zen Soto e Rinzai:

 

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Mestre Ejo Takata (Japão/1928 - México/1997)

 

E, naturalmente, como uma corrente de ar frio que vem anunciando o inverno, chegou ao México o monge zen Ejo Takata no início de dezembro de 1967. Três anos antes havia chegado ao mosteiro de Shoko-fu, no Japão, Richard Crowley, que tinha ouvido falar sobre o zen na Cidade do México e no seminário: "Zen e psicoanalises", com a participação de Erick Fromm e D.T Suzuky entre outros. Essa primeira incursão no zen o motiva a viajar para o Japão e no mosteiro se torna amigo do monge Takata.

 "Os tempos estão mudando” disse Crowly, venha para a América e conheça os hippies, você como um profissional da cultura oriental, pode entender porque eles surgiram. Mas depois conheça os mexicanos, eles têm muito da cultura oriental em sua natureza!

Takata nasceu no porto de Kobe, no Japão, em 24 de Março de 1928. Desde muito pequeno conhece o mosteiro de Shôryu-ji, quando sua avó o levava para beber chá com os monges zen. Aos quinze anos, ele começou a prática do zen nesse templo tendo como mestre Heikisôken Rôdaishi Roshi, a mais alta autoridade do Zen Rinzai no Japão. Mais tarde, ele entrou para o mosteiro de Shôfoku-ji como um discípulo direto de Yamada Mumon Roshi por quinze anos e obteve um doutorado em filosofia zen pela Universidade de Hanazono. Foi uma das poucas pessoas no Zen que tinha formação acadêmica em uma universidade e ao mesmo tempo a  preparação tradicional como monge em um mosteiro.

Geralmente, a maioria dos monges são dedicados a preservar a tradição nos diferentes mosteiros, mas como os tempos estavam mudando, Ejo Takata decidiu deixar o Shôfoku-ji para enfrentar o mundo. Sua determinação o fez ir até o México, queria saber por que os estrangeiros começaram a procurar o zen e também estava interessado em saber até onde ia o pensamento da juventude dessa época . Takata, depois de estudar o zen 24 anos no Japão, chega ao México como uma folha seca carregada pelo vento do outono.

Uma vez no país, se entrevista com Erik Fromm em Cuernavaca- Morelos e trabalha com os seus discípulos na cidade do México, onde fundou o primeiro zendo em 1967. Durante os Jogos Olímpicos de 1968, ele foi convidado pelo cardeal Dario Miranda para participar da Celebração Ecumênica. Este evento era muito importante, pois seria o primeiro em que representantes dos cinco grandes religiões iriam dirigir uma mensagem aos atletas e ao público em geral. Seu discurso disse que se o atleta consegue esquecer-se de si mesmo e tornar-se uma única força que excede todos os limites egoísticos, abre o caminho para a vitória e o publico o aplaude expressando sua reverência pela vida.

A casualidade o guia pelos terrenos do México. Em uma ocasião, a Universidade de Guadalajara o convidou para palestrar sobre Zen, mas na chegada o notificam que ele não está confirmado. Muito chateado diz: "O México não precisa do zen" e essa afirmação, de fato, faz perceber que o México não precisa do Zen, porque o zen existe nas raízes do México, então seria melhor dizer: “O zen necessita do México”. Crowley estava certo, ele achava que os mexicanos tem muito da cultura oriental ..." O ponto comum é o desenvolvimento do conceito de zero, comparável ao ensinamento do Buda, que os antigos mexicanos também conheciam.

               Os legados deixados são vestígios deste princípio, que flutua atualmente no ar do México. No México, ele começou a trabalhar sozinho, sentado respirando sem intenção, livremente. Ao fundar o Zen AC fundação, em 1969, propôs um intercâmbio cultural entre México e Japão, com base na prática do Zen. Embora tenha dado algumas palestras sobre zen, ele nunca teve a intenção de buscar discípulos ou tentativa de propagação do budismo. No entanto, muitas pessoas se aproximaram dele procurando alguma educação, mas desde a sua chegada, fez uma vara ( conhecida como keisaku) onde, por um lado, ele escreveu: "Aprenda por si mesmo, eu nada posso te ensinar..." e com essa lenda, iniciou seu trabalho no México. "Basta sentar e respirar, nós não fazemos meditação", muitas vezes disse e acrescentou: "Se você quiser, terei prazer em sentar-me ao seu lado. Senão, dê o fora. "

               Quando ele estava no meio da Serra Mixe vendo deficiências nutricionais dos camponeses, não levou comida, mas os ensinou a cozinhar com fonte de proteína de soja como e também como cultivá-lo. Nunca teve a intenção de fazer o trabalho social, foi apenas uma forma de agradecer a comida que eles ofereceram-lhe em sua primeira visita. Um pouco mais tarde, quando observava as doenças e o sofrimento dos mixes e mazatecos, decide por usar a acupuntura japonesa e plantas medicinais mexicanas de forma sistemática para resolver problemas de saúde dessa região marginalizada.

Em 1973 com a intenção de participar do desenvolvimento das regiões marginalizadas do país, pos em andamento um projeto: o Centro de Convivência Campesina, localizado em Amecameca, estado de México, para capacitar os campesinos de diferentes regiões, de maneira que se concentrem nesse lugar e depois de aprender algumas técnicas japonesas de cultivo, criações de peixes, melhoramento da fazenda da educação e da saúde. Os camponeses se converteram em reprodutores do sistema ao regressar a suas comunidades de origem. Em 1984 este Centro se transformou em Calmecac Integral Mexicano.

 Com a finalidade de apoiar o projeto anterior, fundou em 1976 o Instituto Mexicano de Acupuntura Ryodoraku, na Cidade do México. Seus objetivos eram a investigação, a difusão da acupuntura e a sua prática nas regiões marginalizadas do país. Um plano mais amplo se desenvolveu para a capacitação pessoal e para levar a acupuntura à serra mixe e a zona mazateca.

 

O zen Rinzai do mestre Takata, nunca se viu separado do trabalho com a comunidade, e desde 1969, todos os companheiros que seencontravam ali, se deram conta que formavam parte de uma família muito grande, chamada humanidade. O reconhecimento disso teve seus frutos quando os praticantes se viram envolvidos nos trabalhos de nutrição e acupuntura do mestre ou assumiram sua própria atividade, então a vida de cada um deu um giro de 180 graus.

 

Ainda que em 1985, o mestre Takata tenha encerrado o Zendo, o ensino continuou. Em 1988 obtém a permissão oficial da Secretaria do Governo para ensinar o Zen na Budo Kan da Universidade Nacional Autonoma do México, Em 1990, se inicia a pratica em “La galeria”, no Colégio do México e em 1996 no Intituto Politécnico Nacional e na Casa Amatlán.

 

Em 1992, ao fundar o Conselho Intereligioso do México, o mestre Takata, que nunca deu um sermão sobre o budismo, é nomeado membro fundador e representante do budismo no México perante o conselho.

 

O zen Rinzai do mestre Ejo Takata consistia em sentar-se e respirar-se de formas mais simples, sem pensar em algo particular, sem visualizar nada em especial, nem repetir nenhum mantra; estritamente falando não se fazia meditação, se praticava zazen, aonde a mente fica livre de qualquer atadura. O mesmo koan foi eliminado da prática, pois também pode atuar como uma limitante, da mesma forma que o desejo por ganhar algum conhecimento ou verdade suprema. Simplesmente sentar-se, como no Zen Soto, em silêncio sem nenhuma intenção: shikantaza.

 

Em todo o momento o mestre Takata sempre teve um grande respeito e agradecimento pelo seu mestre Mumóm Yamada. Frequentemente relatava algumas experiências que viveram juntos. A presença em nosso país de Rôshi Yamada em 1972 e 1973, fez constatar que seus ensinamentos se encontravam no México.

 

Pelas madrugadas até o anoitecer, o mestre Takata se sentava com quem desejava buscar seu próprio caminho, cantavam sutras e ao terminar tomavam chá. Geralmente não havia explicações nem se analisavam os sutras. Sem recorrer aos textos do budismo, o Rôshi Ejo Takata ensinou o zen em silêncio, com seu próprio corpo e com sua própria vida.

 

“Não sou um autêntico monje zen, se não posso ensinar o zen com uma agulha ou com um punhado de grãos de soja”, dizia. O mestre Ejo Takata viveu quase 30 anos no México e em nenhum momento deixou de trilhar o caminho do zen. Morreu na Cidade do México em 16 de junho de 1997.

 

Fonte gentilmente cedida pelo monge Francisco Cinencio: http://www.zen-do-aguilablanca.com/maestro.html  

Tumulo

 

 

Em dezembro de 2014, como parte das comemorações dos 40 anos do mosteiro, foram trazidas do México pelo monge Francisco Cinencio, parte das cinzas do Venerável Mestre EJO TAKATA, que estão depositadas no cemitério do mosteiro. 

Foi nos idos de 1973/74 que o monge Daiju Bitti, Abade do mosteiro, viveu sob os ensinamentos do respeitado mestre, ajudando-o no seu trabalho social. Muitas vezes  Daiju nos fala que o trabalho socioambiental desenvolvido pelo mosteiro tem forte influência dessa época.